segunda-feira, 16 de junho de 2014

post it - poet it


não esqueça
de alvorecer

e sobre meu corpo
florescer

todas as cores
ao entardecer




             "ilusão
                            é a veste que 
                             faz-te volver
             que me envolve e verte 
             afeto e afã"


sábado, 31 de maio de 2014

Tragando Saudade II

 Para Guilherme Brandão [(re)ler ao som de "Carro de Boi" - Milton Nascimento]


Sei bem

- caro amigo prosador

quanto o amor

   descaminho da alma
                            
                                  o flagelou

 Mas saiba
                 sobre a vida que nos
        caiba

viverá sempre

               o estigma de seu
                                        calor


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tragando Saudade

Diante da fumaça densa

deste cigarro

desfaço-me em triste dança

doce sortilégio da esperança


E de cada cigarro

                         em alternância

trago para dentro de mim

a dura saudade da infância

os devaneios daquela criança

que só pensava em ser feliz

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Noite e seu umbral


Opiáceos embrenham-se nas veias do acaso.
Rasgando as fendas da cidade
nossos olhos procuram por uma luz transcendente:
a cada esquina cortada,
ratos nos espreitam sobre os esgotos deste caminho

O cenho cada vez mais carregado
o cerne cada vez mais suplicado
e a boca
cada vez mais seca
balbuciando palavras desconexas e intangíveis
- sobretudo por aqueles que repousam
na fagulha tênue de seu cais -

Estas ladeiras periféricas
tão íngremes como rochas andinas
suprimem a inocente razão
sucumbem os espíritos lacunares que
i n c e s s a n t e m e n te
procuram os limítrofes de seus prazeres
sobre o cume decadente
na colina das paixões


Mantra profanum



É preciso
a plácida sensação de ser quem somos
e mastigar as dores de nossa alma
tornando
- sob o corpo da calma -
degeneração em flores


Transpiração urbana


Somos todos personagens de Will Eisner

entrecortando as paredes intransponíveis

de uma cidade-dormitório

refazendo nossas frustrações sôfregas

sobre um cume de mesmice cinza

E sentindo

                                    a cada passo solitário

 a áurea sublime

destes
desvalidos devaneios urbanos


Will Eisner - Nova York

terça-feira, 9 de julho de 2013

Áporos de Alice


A fumaça deste calado cigarro
rasga as faces de nossas almas
assim como lâminas que se embrenham
por entre as cinzas suspensas
dos corações obtusos esclarecidos

Enlouquecidos por respostas aparentes
os olhos de Alice irrompem caminhos metafóricos
escritos e desenhados por uma doce mente -
matemática sublime inexata 

Quantos espelhos serão necessários
para que as faces do abismo
expressem o tamanho espanto
destes corpos enfraquecidos?


Ilustração: Luiz Zerbini